Não se trata de uma “caixinha” qualquer. Mas de um set top box, que funciona como conversor digital, ponto de acesso WiFi e permite que qualquer televisor (incluindo os de tubo) tenha ainda mais funcionalidades do que uma TV conectada. Por trás, uma robusta plataforma de conteúdos.

Em um momento em que a comercialização de TV paga se encontra em curva levemente descendente, a Enterplay decide apostar todas as suas fichas em um novo modo de comercialização de entretenimento, que garante muita liberdade ao usuário para selecionar os conteúdos que lhe interessam, ter acesso à TV aberta e pagar pelo que interessa, com planos que podem caber no bolso até mesmo da classe C.

No seu alvo estão dois tipos de públicos: o público consumidor em geral, para o qual lança em julho, pelas empresas da rede Casino (Ponto Frio, Casas Bahia), a sua sofisticada caixinha (na verdade iniciou a comercialização no final do ano passado, mas como um pré-teste), e os provedores de acesso à internet e serviços de telecomunicações, os ISPs, que podem adotar sua solução para atender a seus clientes. Para isso, já está fazendo pilotos com 25 ISPs de várias partes do país, para testar a tecnologia e o modelo de negócios.

A confiança na solução, desenvolvida por sua equipe é tão grande, que a empresa investiu em um fornecedor, a Brasilsat, para produzir o equipamento no país. Por enquanto, ele é fabricado, segundo o projeto nacional, na Coréia do Sul. Com a nacionalização, o preço, que é salgado, de R$ 899,00, deverá ser reduzido em 30%. A produção em Manaus, de acordo com Fabio Golmia, CEO da Enterplay, está prevista para começar em agosto deste ano.

Se o público em geral interessa à Enterplay, interessa-lhe mais ainda os canais que podem ser abertos pelos ISPs, que já contam com clientes. À Enterplay interessa usuários que queiram uma opção de consumo de entretenimento segundo seu perfil. Aos ISPs, uma solução flexível de oferta de entretenimento, para agregar valor ao serviço de conexão à internet, que tenha preço acessível e seja extremamente flexível. “É isso que oferecemos”, resume Salles, avaliando que a TV paga tradicional não atende mais ao que quer o usuário. “Ele quer ver o que deseja, na hora que que escolher”, resume, lembrando que houve uma mudança radical no consumo de entretenimento.

Por trás dos set top box há uma poderosa plataforma e um grande acervo de conteúdos – mais de 3 mil titulos – dos principais estúdios e produtores. Salles lembra que a Enterplay foi a primeira empresa brasileira a licenciar conteúdo da Warner. Por enquanto, não faz parte do seu portfólio os conteúdos da Globosat e do Telecine.

A Enterplay recebe o conteúdo via satélite ou diretamente no teleporto da Casablanca, no bairro do Ibirapuera, em São Paulo, onde tem um head end, que se liga, via fibra óptica, aos seus servidores instalados em um datacenter, em Campinas (SP). A distribuição de seu conteúdo é feita a partir de um CDN instalado na Level3, no PTT de São Paulo. Segundo Salles, todo o tráfego da Enterplay é criptografado, o que permite fazer a sua entrega como dados economizando banda. No caso dos ISPs, um cache server é colocado na sua rede.

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